Hoy nos llega el testimonio de Maria Concepción Batista Correia, del Carmelo Misionero Seglar de Portugal. Ella nos ha querido contar su experiencia como misionera seglar. Con este testimonio podemos dar fe, de lo que está lleno el corazón habla la boca. Así es lo que cuenta ella. Se siente feliz dandose a los demás y es una buena motivación, para quien tenga esa inquitud, verificar como otros lo han hecho y sienten que es más lo que reciben que lo que dan………Muchas gracias Concepción por compartir tu vida con esa ilusión…….

Transcribimos el testimonio en Portugués la lengua de Concepción, pero a continuación hay un breve resumen en español para quien quiera completar.

 

Eu acredito na vida como dom e dádiva de Deus e que não se desenvolve por acasos apenas ou coincidências.

Os caminhos que se deixam percorrer e que nos podem levar a aceitar e a compreender que estamos em missão, são tão distintos. Para mim, foi necessário tempo para poder interligar a vontade de partir em missão, com o apelo que me chegava por diversos modos, mas sobretudo, por esta Voz interior que me desassossegava e interpelava e que eu precisei de escutar o coração para a poder seguir com determinação.

Creio que desde que me “conheço” que tenho em mim esta vontade de ir para outras terras mais necessitadas, dar colaboração, pôr a “render” os dons que recebi. Talvez esse aspeto tenha ponderado na escolha profissional embora nunca o tenha claramente refletido.

Em 2005 fiz uma pesquisa para poder usar o mês de férias em missão. Fui contactada por uma organização italiana, AVSI que considerou a conjugação de ser professora, enfermeira e católica a resposta ótima para o que procurava. E assim parti para Huambo, em Angola, onde colaborei dando formação a professores e pude desenvolver várias outras atividades com as crianças e famílias, do próprio centro “Sementes de Vida”. Regressei em 2007 para avaliação do trabalho desenvolvido e novo projeto na área da saúde.

Foi um tempo de grande riqueza espiritual para mim. Senti claramente que “é dando que se recebe”, e ajudou-me a entender que a missão pode ser agarrada e desenvolvida, onde estamos, sendo por vezes, mesmo mais difícil na nossa comunidade. E aí fiz caminho, integrando e colaborando em diversos projetos e atividades, dentro do que conseguia atendendo as obrigações profissionais e familiares.

Mais tarde, já após os compromissos como CMS,  em 2016 fiz missão na India, em cooperação com Prokarde no estado de Gujarat, onde pude acompanhar bem de perto as Irmãs Carmelitas e desenvolver atividades com as crianças e sobretudo na prestação de cuidados de saúde no dispensário para adultos e crianças. Complementarmente participei no projecto /curso de educação socio politica destinado as mulheres Adivasis, desenvolvido pela Irmã Marycutty de enorme interesse para a cidadania destas mulheres nativas.

Fui acolhida com todo o carinho e isso facilitou muitíssimo que me sentisse em casa e pudesse dar a melhor colaboração possível.

Residia com as Irmãs, participava diariamente nas orações, laudes, vésperas, na celebração diária da eucaristia na pequena Capela, a quem acompanhava também em algumas atividades assistenciais no povo A eucaristia era vivida como agradecimento, comunhão, encontro e união. Eu senti me tão acolhida e inserida, como se aquele lugar fosse para mim um lugar de viva pertença.

Foi um tempo que dificilmente encontro palavras que o traduzam, porque era surpreendida com os meus diálogos com Jesus, em crescimento no Encontro com Ele. que me escutava como um amigo e de diversos modos manifestava – se presente nas pequenas grandes coisas do meu trabalho, sobretudo no dispensário, na prestação de cuidados de saúde com os Adivasis e outros doentes que aí acorriam em considerável número.

O encontro com Jesus é sempre único, porque cada um de nós é único e insubstituível, mas comum a todos porque o Jesus com quem nos encontramos é o mesmo.

Parti de novo, em 2018 para Damasco e Qara, na Siria. Sempre que via as imagens da guerra da Síria e mais tarde na oração, os apelos que tinha visto, impunham se. O pensamento “e eu aqui, que faço?  que espero?” voltava   e a entrevista que pouco tempo atras ouvira, a uma Irma libanesa, Irmã Agnes Myriam que recuperara um mosteiro em ruínas na Síria, Mosteiro de St. Jacques, Le Mutilé, e com ajuda de poucas Irmãs implementara um trabalho notável de apoio aos necessitados, veio dar me luz. Partilhei com uma amiga italiana que fizera missão comigo no Huambo, há 12 anos atras e uma serie de “coincidências” permitiram me em semanas concretizar os contactos necessários e organizar a ida para a nova missão.

Pude desenvolver a minha colaboração em Qara e durante um 4 semanas  em Damasco, no hospital numa nova etapa agora na capital, em colaboração com o Hospital Italiano e as Irmãs Salesianas, com a proteção de Sta Maria Auxiliadora.

Escrevi na altura, em jeito de diário de que tiro excertos:”Quase me atrevo dizer que desde que me decidi a vir nesta missão, que aprendo, sobretudo sobre as pessoas, o agir e estar de quem me rodeia e de como nas atitudes e palavras numa outra língua, tão diferente e diria mesmo impercetível, me mostram o seu modo de SER mas muito mais , o seu modo de aceitar , de Amar e de Ver o outro como igual, irmão ou não na Fé. Este hospital tem um conceito de abertura quer para quem precisa de cuidados, e a ele recorre, quer nos seus trabalhadores, pois nuns e noutros encontramos proveniências socias e religiosas muito distintas. Encontro muita destruição por todo o lado, mas sobretudo nos arredores, como Haresta que dista 3km e cuja construção, prédios, escolas e igrejas, foi destruída totalmente.

Jober é outra zona destruída há meses, e quando ouço a Irma Beatrice a falar me de tanta coisa percebo um pouco melhor o que faço aqui. Estas pessoas, enfermeiras e freiras, em grande número, vindas de Itália, mas tb de França, Irlanda, India, com nalguns casos mais de 70, 80 anos e vidas extraordinárias, percebo a necessidade imensa de contar, tanto a tragédia como as alegrias e bênçãos.”

Se paramos para nos escutarmos, a presença de Jesus em nós é um estímulo. Mas sobretudo uma tranquilidade e confiança que vence qualquer obstáculo e isso aconteceu comigo. Porque o encontro com Jesus é o encontro com o Amor e é só na experiência da relação que nós podemos encontrar esse Amor e nos definimos como pessoas.

E ainda porque, somos todos instrumentos de que Deus se serve para chegar aos outros.

O instrumento é apenas isso. Não precisa de ser perfeito e não queria ficar presa nas minhas possíveis dificuldades, a entrega e confiança foram fundamentais para sempre acreditar que poderia ajudar e que coma Sua ajuda faria o melhor possível.

Aprendi a sentir e a viver esta relação a cada momento como alimento para a Fé e fortalecendo a minha confiança e as minhas responsabilidades de cada dia.E para haver transformação é preciso reservar um tempo de meditação, de recolhimento, porque como nos refere Cardeal José Tolentino Mendonça, a sede de Jesus é uma sede de amor pelas Pessoas tal como são.É como diz S. João da Cruz : “Fazer tudo como dependendo de mim, sabendo que tudo depende de Deus”

 

Español:

Hay muchas formas de ser misionero. Yo creo que la vida es un don y un regalo de Dios  y que no se desarrolla solo por coincidencia

Son muy diversos los caminos que percorremos y que nos hacen ver y sentir que estamos en mision. En mi caso fueran necesarios anos!! Para asumir y integrar o desejo de partir en mision teniendo en cuenta la informacion que recebia por diferentes medios pero sobre todo por una Voz interior que me inquietaba y me interpelaba. La escucha a esta voz me ha puesto en camino

Me atrae desde el profundo de mi  ser el salir a colaborar en lugares donde pienso hay necesidad de ayuda. Siento que debo compartir los dones que he recibido. Quizas de forma inconciente esta foe la razon de haber escogido mi profesion.,

En 2005 decidi dedicar as minhas ferias a fazer uma experiencia de mision. Entré en contacto con una organicion italiana, AVSI que dado a que era profesora, enfermera y catolica me han aceptado. Mi destino fue Huambo en Angola donde colaboré en la formacion de profesores y en otras atividades con niños y familias en el Centro “Sementes de Vida”. En 2007 volvi ao mismo lugar para avaluación del trabajo hecho.

Vivi una fuerte experiencia espiritual. He podido experimentar la frase del evangelio “ és dando que se recibe” esto me ha ayudado a comprender que la mision no tiene un lugar especifico pero que se hace presente donde se està. Desde esa experiencia me integré y colaboré en proyectos diversos segun mis capacidades.

Años más tarde, cuando ya habia hecho los compromisos como CMS, en cooperacion con Prokarde viaje a India en 2016. Allá, en el estado de Gujarat, he podido acompañar de cerca la mision de  las Carmelitas Misioneras y desarrollar atividades con niños y adultos en la area de la salud. Tambien participé en el proyecto: Curso de educación socio politica para mujeres Adivases, del cual la irmä Marycuttyde es responsable.

Me han acogido con cariño y me he sentido en casa lo que me ha ayudado a dar mi colaboracion lo mejor posible.